Este termo é antigo. Desde a década de 70 já se ouve falar sobre “burnout” – a síndrome do esgotamento pelo trabalho – mas no Brasil começou a ganhar “popularidade” faz pouco tempo.

Na edição de abril de 2015 da revista Mente e Cérebro este assunto ganhou uma grande matéria e nos chamou a atenção uma das citações referente aos dados da International Stress Management Association – Isma – Brasil, que mostram que mais de metade dos brasileiros economicamente ativos sofre com a sobrecarga profissional e com os excessos que a cercam.

Ao mesmo tempo em que estes dados nos chocam, vimos cada vez mais a disputa interna nas grandes corporações, funcionários, gestores, diretores e presidentes que deixam a vida pessoal colapsar em busca de um bom reconhecimento profissional e a carga horária se estendendo em decorrência deste movimento.

QUAIS SÃO OS ESTÁGIOS DA SÍNDROME

Poucas pessoas se dão conta de que pode estar sofrente pela Síndrome de Burnout, afinal, é vendido o tempo inteiro para nós o fato de que “o trabalho dignifica o homem” e que “cabeça vazia é oficina do demônio”. Isto me lembra o infeliz acontecimento com Mita Diran, redatora que postou no Twitter “30 horas trabalhando e continuo forte”, falecendo horas depois.

* Indico a leitura deste texto de Sérgio Augusto ao Estadão que aborda a questão acima de maneira brilhante.

Para saber se você já sofre da síndrome ou está no caminho, conheça os 12 estágios descritos por alguns pesquisadores:

1) Necessidade de autoafirmação: medo de errar, desejo de fazer tudo perfeito

2) Dedicação intensificada: centralização, pessoa “abraça o mundo”

3) Descaso com as próprias necessidades: renúncia a vida pessoal vira ato de heroísmo

4) Evitação de conflitos: pessoa não enfrenta situações que façam ela entrar em conflito

5) Reinterpretação dos valores: só o trabalho importa

6) Negação de problemas: julgamento dos outros

7) Recolhimento: afastamento, com possível abuso de álcool ou drogas

8) Mudanças evidentes de comportamento: sentimento de inútil, culpa o mundo

9) Despersonalização: deixa de fazer planos, desvaloriza a si e todos ao redor

10) Vazio interior: não se encontra

11) Depressão: indiferença, desesperança e exaustão. Os sintomas começam a ficar cada vez mais fortes

12) Síndrome do esgotamento profissional: pode chegar a pensamentos suicidas.

Fonte: Revista Mente e Cérebro – Abril 2015 

Quando a pessoa chega ao estágio 12, neste momento a ajuda médica e psicológica é fundamental. Parece um absurdo a pessoa precisar de médico por conta de esgotamento de trabalho certo? Mas deixa de ser quando nos lembramos dos vários casos de suicídio na Foxconn na China, conhecida pelas duras condições de trabalho.

E AS REUNIÕES COM ISTO?

Hoje sabemos que as reuniões são grandes responsáveis por roubar nosso tempo. Acontece que dificilmente as empresas medem o impacto que isto gera na vida pessoal e saúde de seu funcionário.

Veja um exemplo que sempre usamos em nossa apresentação da Simplesfica:

No começo do dia, esta é a expectativa em sua agenda – duas reuniões e cinco horas de produção.

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Ao final do dia, a realidade geralmente é outra – três reuniões, pois precisou participar de uma que não havia sido convocado, as outras duas atrasaram e levaram mais tempo do que o previsto… Para onde foram as cinco horas de produção?

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Todo o trabalho se acumulou para depois das 18h30, quando você já não consegue produzir com a mesma eficiência. Pior do que isto é você precisar levar os afazeres para o dia seguinte e este stress de trabalho acumulado prejudica totalmente a noite de sono, as refeições, a realização destas tarefas etc.

PASSEI O DIA TODO EM REUNIÃO E NÃO TRABALHEI NADA

Se você já citou esta frase, está na hora de começar a rever suas prioridades para não acumular trabalho e chegar a um dia sofrer da Síndrome de Burnout, se já não passa por isto.

Alguns questionamentos podem te ajudar a não se exigir tanto e conquistar mais tempo:

– Por que preciso participar deste reunião?
– Minha opinião será fundamental neste projeto?
– Os tópicos podem ser repassados para mim por um colega de trabalho?
– Quero participar para me sentir importante ou de fato sou importante para esta reunião?
– O que de pior pode acontecer se eu não participar?
– Esta reunião pode ser resolvida por e-mail?

Se você é a pessoa que geralmente convoca as reuniões, não deixe de analisar o propósito antes de convocar qualquer pessoa! Falamos sobre isto neste post.

BENEFÍCIOS FINANCEIROS

A Síndrome de Burnout não afeta apenas a vida dos funcionários, mas também a das empresas. Evitar que os colaboradores cheguem neste estágio, é saber cuidar da saúde financeira da corporação.

Veja estes dados trazidos pela revista Mente e Cérebro:

“De forma geral acredita-se que o prejuízo anual decorrente de faltas ao trabalho, baixa produtividade, acidentes e doenças causadas pelo problema ultrapasse US$ 300 bilhões nos Estados Unidos e US$ 265 bilhões na Europa”.

A psicóloga Ana Maria Rossi, especialista no estudo do estresse e presidente da Isma – Brasil, trouxe para a matéria o dado de que “no Brasil estimamos que poderia haver uma economia de até 34% se fossem diminuídos os índices de estresse ocupacional”.

Resultado: quando valorizamos o tempo, evitamos problemas de saúde, financeiros e passamos a vivenciar o que realmente importa. Acreditamos que o primeiro passo para isto é fazer um raio X daquilo que mais rouba tempo em sua rotina e encontrar novas maneiras de administrar estes acontecimentos.

 

 

 

Written by Flavia