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July 10, 2015 Blog, Tempo 3 Comments

Este livro foi amor a primeira vista: Casa das Estrelas, de Javier Naranjo. Ele traz um universo de palavras interpretadas por crianças, em uma pesquisa que levou 10 anos! Impossível ficar indiferente à uma obra tão interessante quanto esta.

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Não à toa, a palavra “tempo” tem três páginas dedicas à ela e as respostas são bastantes curiosas e surpreendentes:

– É um relógio que move e move uma mão até que se cansa (David Jaramillo, 9 anos)
– Se deixar levar (Manuela Uribe, 7 anos)
– É hora, é demora (Ligeya Martínez, 9 anos)
– Algo que corre na gente (Roger de Jesús Valencia, 9 anos)
– Gastar ou demorar (Alejandro Tobón, 7 anos)
– O que divide a gente (Carolina Carder, 10 anos)

Todas trazem boas reflexões, mas a que mais me chamou a atenção foi a frase de Alejandro Suárez (6 anos), descrita no título deste post.

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Não faz muito tempo que a minha ficha caiu e que passei a compreender que tempo é sinônimo de vida. Me lembro quando participei de uma aula na The School of Life e o tema era “Como lidar com a morte”. A Dra. Ana Claudia Arantes, que conduziu brilhantemente a aula, começou com uma frase que me marcou bastante. Ela agradeceu pelo nosso tempo disponibilizado e nos lembrou de que este tempo jamais voltaria, então, que pudéssemos aproveitá-lo da melhor maneira possível.

Simples quanto isto, porém muito esquecido por todos nós. Até hoje me pego querendo sabotar o tempo e não são raras as vezes que negligencio esta afirmação: o tempo não volta.

E, se o tempo é a vida como traduziu tão bem Alejandro, podemos concluir que perder tempo é o mesmo que perder vida.

Em um curso que fiz com a Thais Godinho, do Vida Organizada, ela também abordou este fato de uma maneira interessante. Propôs que começássemos a substituir a palavra tempo pela palavra vida. Isto é, quando alguém nos perguntar se podemos executar de uma determinada tarefa, podemos responder “não tenho vida para isto”.

Parece trágico demais, né? Mas quanta vida você já perdeu por não ter a consciência justamente sobre isto?

Quanta vida você perdeu…

– No último happy hour que todos ficaram falando mal do diretor
– No bate-papo do whatsapp que só levou a desentendimentos
– Na reunião que aceitou participar e que a sua presença não era necessária
– No Facebook criticando boa parte dos amigos da timeline
– No Youtube vendo o vídeo que o colega de trabalho indicou, mas que na verdade você nem gostou

E a desculpa para a falta de vida é sempre a falta de tempo (olha como tem relação!), mas será que isto não virou uma muleta para nos sabotarmos?

Quando somos crianças, o dia parece eterno. Conseguimos estudar, fazer as lições necessárias, cursos extras, brincar, aproveitar as refeições com calma e dormir as oito horas recomendadas por noite. Quando crescemos, além de outras inúmeras habilidades, perdemos esta também: a de entender que o tempo é a vida!

Muito obrigada Javier Naranjo pela dedicação a este projeto que nos tocou tanto! Muito obrigada Alejandro Suárez pela perfeita definição da palavra tempo.

 

Written by Flavia